Era o início de uma manhã ensolarada de verão. O desânimo tomava conta de meu corpo e minha alma. Nesse dia levantei com o grande desejo de que ele passasse bem rápido, que pudesse se tornar, tão breve, apenas uma velha lembrança na minha mente cansada. Lutei contra a preguiça e o cansaço. Cansaço, este, que misteriosamente me surgira como um vento atravessando as frestas da janela; acho que era mais mental do que físico. Só podia ser. Eu não havia feito nada de trabalhoso no dia anterior. Prefiri não tentar me entender, pois aquilo tudo só me deixava mais perdido nos meus pensamentos.
O dia se arrastou como um peso em minhas costas. Os raios de sol que tive que encarar na rua foram fatais para minha visão. Ainda que meus ouvidos captassem tudo que se passava em volta, eu parecia estar surdo… pois não compreendia – e não queria – o que chegava a minha mente. Parecia tudo tão estranho, o som parecia ter assumido uma posição totalmente disforme. Passei a crer que eu era capaz de controlar meus sentidos e descobri que não eram tão involuntários assim.
Segui em minha caminhada pelo resto da tarde. Ao pôr-do-sol, comecei a me sentir melhor. Quando apreciei aquela combinação harmoniosa de cores que se confundiam no horizonte, foi como um alarme que despertou meu espírito e uma paz indescritível tomou conta de mim. Repousei meu corpo sobre os grãos de areia quentes de uma praia. E olhei… olhei para frente, para a vida, para o futuro… Meus olhos seguiram o sol ininterruptamente, até ele desaparecer na linha do horizonte. Depois fiquei ali sentado. Pensando… Cheguei a conclusão de que aquele era mais um dia, mas não um dia qualquer. Aquele, em especial, me fizera sentir mais forte, me dera o hálito da esperança e o sabor da paz.
Levantei e caminhei. Deixei a água, ainda morna, tocar meus pés. Andei sobre ela por um tempo indescritivelmente longo, que, por sinal, nunca cheguei a saber o quanto exatamente fôra. Depois fui para casa; mas era outra pessoa. O dia que para mim começou assustoramente péssimo, agora se revelava um grande prazer de viver. Abri a porta e entrei. Abracei minha mãe, tomei um banho e fui me deitar. Esperava que o seguinte fosse ainda melhor. E foi. E o próximo, o próximo… Tudo por que me dei conta de quem eu realmente era, o meu propósito e minha missão.
Aprendi que não podemos prever o futuro. Não podemos lamentar pelo que já é passado e nem sofrer pelo que ainda não aconteceu. Devemos lutar pela esperança de que o que virá será melhor do que o que já foi. Pois quando achamos que um dia será catastrófico, na verdade, pode ser nesse dia que recebemos a melhor notícia dos últimos anos; esta, que irá fazer com que os próximos sejam muito melhores, consolidando, enfim, um sonho tão importante.
Chegou o inverno, minha estação favorita. À tardinha, o vento gelado soprava sobre meu rosto. A chuva caia intermitantemente. Estava ensopado, mas sentia a leveza dentro de mim. Olhei para cima e sorri. Agradeci. Passei a mão no rosto para tentar tirar um pouco da água que agora já corria em todas as direções. Olhei pra frente e me vi lá… bem distante. Não sei aonde, mas estava sorrindo…
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009.
